Um dos episódios marcantes na história de Alcoólicos
Anônimos é a memorável troca de cartas entre Bill W. (um dos cofundadores de AA
ao lado de Bob) e ninguém menos que Carl Jung. Como sempre repleto de divina
inspiração, Carl Jung afirma o que não tenho dúvida ter sido o meu caso e o de
um sem-número de companheiros alcóolicos: o alcoolismo é uma decorrência
possível da sede espiritual de nosso Ser pela integridade/completude. O álcool
proporciona uma ilusória sensação de enlevo espiritual, constituindo-se,
destarte, como um dos caminhos possíveis (conquanto não passe de um veneno
diabólico e depravador) pelos quais o ser humano busca se unir com Deus. Como
sempre fui um homem de pouca fé, posto que repleto de sede espiritual, e como
trago em minha genética a propensão para o alcoolismo, tornei-me um refém
óbvio. Em um dos memoráveis trechos da carta, diz Jung: “[...] Sua fantástica
necessidade do álcool era equivalente, no nível mais baixo, a sede espiritual
de nosso Ser pela integridade, expressada em linguagem medieval: – a união com
Deus. (Nota: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira
minha alma por ti, ó Deus!” – Salmos 42.1) Como pode alguém formular tal
percepção em uma linguagem que não seja mal interpretada em nossos dias? [...]
Como sabe, álcool em latim é spiritrus; e se usa a mesma palavra para
descrever as experiências religiosas mais elevadas, como para o veneno mais
depravador. Uma fórmula lógica é, pois, Spiritus contra Spiritum.”
Abaixo, a correspondência entre Bill e Jung
A
correspondência entre Bill W. e o Prof. Dr. Carl G. Jung 23 de janeiro de 1961
Esta carta, portadora de meu profundo agradecimento,
estava pendente de ser escrita e remetida, faz bastante tempo.
Permita-me, preliminarmente, apresentar-me como Bill W.,
cofundador da Sociedade de Alcoólicos Anônimos. Embora seguramente tenha o
senhor ouvido falar sobre nós, duvido ser do seu conhecimento que determinada
conversa que manteve com um de seus pacientes – o Roland H. – nos inícios dos
anos 30, representou um papel decisivo na fundação de nossa comunidade. Embora
Roland H. tenha falecido já faz algum tempo, a recomposição de sua
extraordinária experiência, durante o período em que esteve sob seu tratamento,
faz parte definitiva da história de A. A. Nossa lembrança do que era relatado
por ele, sobre a experiência que obteve com o senhor, é a seguinte: Havendo
esgotado outros meios para sua recuperação de alcoolismo, mais ou menos em 1931
se tomou seu paciente. Acredito que permaneceu sob seu tratamento pelo período
de um ano. Sua admiração pelo senhor era infinita e o deixou com um sentimento
de muita confiança.
Para sua enorme tristeza, pouco tempo depois voltou a
beber. Convencido de que era seu “último recurso”, regressou aos seus cuidados.
Imediatamente houve a mencionada conversa entre os dois e que viria a ser o
primeiro elo da corrente de felizes acontecimentos que conduziriam à fundação
de Alcoólicos Anônimos.
Seu relato dessa conversa era o seguinte; primeiro, o
senhor lhe falou francamente de sua desesperança com relação ao êxito de
qualquer tratamento médico ou psiquiátrico. Essa sua declaração, tão sincera e
humilde, foi, sem dúvida alguma, a pedra angular sobre a qual construímos nossa
sociedade.
Vinda do senhor, em quem tanto confiava e admirava, o
impacto sobre ele foi terrível. Foi aí, então, que ele lhe perguntou se havia
alguma outra esperança, e o senhor respondeu que podia haver, desde que ele
chegasse a ter algum tipo de experiência espiritual ou religiosa; em resumo,
uma genuína conversão. O senhor lhe explicou como uma experiência como essa,
acontecendo, poderia dar-lhe ânimo, quando nada mais poderia fazê-lo. Fez,
ainda, a observação de que, embora ditas experiências tenham trazido, algumas
vezes, recuperação a alcoólicos, eram elas, sem dúvida, raras, recomendou-lhe
que buscasse um ambiente religioso e esperasse o melhor. Esta, creio eu, foi a
essência de sua mensagem.
Pouco tempo depois o Roland H, reuniu-se aos Grupos de
Oxford, um Movimento Evangélico, na época com muito sucesso na Europa e, pelo
que acredito, do seu conhecimento. Por isso, certamente se recordará de sua
especial ênfase aos princípios do auto exame, confissão, restituição e o
entregar-se ao serviço de seus semelhantes. Eles recomendavam muito a meditação
e a oração. Nesse ambiente, o H. encontrou a experiência da conversão que o
libertou da compulsão pelas bebidas alcoólicas.
Ao regressar a Nova Iorque, começou a trabalhar
ativamente nos Grupos de Oxford aqui existentes, então dirigidos pelo Ministro
Episcopal, Dr. Sam Shoemacker, que havia sido um dos fundadores desse movimento
aqui e era portador de uma forte personalidade, com imensa sinceridade e
convicção. No período entre 1932 e 1934, os Grupos de Oxford já haviam
recuperado um bom número de alcoólicos, e Roland H., sabendo que podia
identificar-se com eles, se dedicou a ajudá-los.
Um deles havia sido meu companheiro de colégio e se
chamava Edwin T. Ebby. Ele já havia sido ameaçado de prisão, porém Roland e
outro ex – alcoólico conseguiram a anulação do processo criminal e o ajudaram a
conseguir a sobriedade.
No entretempo, eu havia percorrido os caminhos do
alcoolismo e havia sido, também, ameaçado com o presídio. Para sorte minha,
estava sob tratamento médico com o Dr. William Silkworth, que tinha uma
extraordinária capacidade para entender os alcoólicos. Mas, assim como o senhor
havia reconhecido que fracassara diante do caso do Roland H., ele, também,
reconhecera o mesmo em relação a mim.
Sua teoria era a de que o alcoolismo teria dois
componentes: uma obsessão que conduz o paciente a beber contra sua vontade e
interesses, além de determinado tipo de deficiência metabólica que ele
denominava alergia. A compulsão, ou obsessão do alcoólico, fará com que seu
consumo imoderado de bebidas continue e a alergia o destruirá, enlouquecendo-o
ou matando-o prematuramente. Embora eu fosse um dos poucos com que ele se
empenhava em ajudar, finalmente viu-se obrigado a falar-me francamente da
nulidade de qualquer esperança; eu, também, precisava ser motivado por algum
outro fator, disse-me. Para mim, essa declaração foi um golpe fatal. Assim como
Roland H. havia sido escolhido pelo senhor para sua experiência de conversão,
meu maravilhoso amigo Dr. Silkworth fez comigo. Conhecendo o que se passava
comigo, meu amigo Edwin T. (Ebby) veio visitar-me em minha casa, me encontrando
embriagado. Estávamos em novembro de 1.934. Fazia já alguns anos, eu
considerava Ebby um caso sem esperança. Agora, ali estava ele em evidente
estado de “libertação”, o que se devia, sem qualquer dúvida, ao seu ingresso
nos Grupos de Oxford, fazia pouco tempo. Porém, o evidente estado de
tranquilidade, o oposto da usual depressão, era tremendamente convincente. Como
ele padecia do mesmo mal, podia comunicar-se comigo com facilidade. Reconheci,
imediatamente, que eu tinha que encontrar uma experiência igual a dele, ou
morreria. Novamente recorri a ajuda do Dr. Silkworth e, mais uma vez, consegui
a sobriedade, obtendo, assim, uma visão mais clara da experiência de libertação
de meu amigo Ebby e da aproximação de Roland H. até ele.
Livre do álcool novamente, me senti muito deprimido.
Isto, parece, tinha por causa minha inabilidade em ter algum tipo de fé. Ebby
me visitou novamente e repetiu a fórmula simples dos Grupos de Oxford. Depois
que ele foi embora me senti mais deprimido ainda. Possuído pelo mais drástico
desespero, gritei: “Se existe um Deus, então que se manifeste!”
Imediatamente me vi envolvido em enorme quantidade de
luz, de fantástico impacto e dimensão, alguma coisa de tamanha importância que
fiz questão de registrar nos livros “Alcoólicos Anônimos” e “A.A. chega a Sua
Maioridade”, dois livros básicos que lhe estou enviando. Minha libertação do
álcool foi imediata. Em seguida verifiquei que era um homem livre. Pouco tempo
depois dessa experiência, meu amigo Ebby veio me visitar no hospital e me
presenteou com um livro intitulado “Variedade de Experiências Religiosas”, de
William James. Este livro me fez ver que a maioria das experiências de
conversão, de qualquer classe que seja, tem como denominador comum uma total
destruição do ego. O indivíduo se enfrenta em um dilema impossível. No meu
caso, o dilema havia sido criado pela minha maneira compulsiva de beber e pelo
profundo sentimento de desesperança, havia sido penetrado por meu médico e,
muito mais ainda, pelo meu amigo alcoólico, quando me informou do veredito do
senhor em relação ao Roland H.
No despertar da minha experiência espiritual, foi
surgindo a ideia de uma sociedade de alcoólicos, identificados entre si,
transmitindo suas experiências para outros, semelhante a uma corrente. Se cada
doente alcoólico levasse a outro alcoólico a informação de que não havia
esperança de recuperação par por parte da ciência, seria lógico esperar-se dele
uma disposição para tentar uma experiência espiritual transformadora. Este
pensamento provou ser a pedra fundamental do êxito de Alcoólicos Anônimos. Ele
faz com que as experiências de conversão de todas as variedades, descritas por
William James, estejam disponíveis em quantidades sempre crescentes em
beneficio de outros. As recuperações estáveis, durante o último quarto de
século, chegam a aproximadamente 300.000. Nos Estados Unidos e no mundo,
atualmente, existem 8.000 grupos de AA (nota: cm 1974 se estimava o número de
membros em 725.000, e o número de grupos, em todo o mundo, em 22.500).
Assim é que ao senhor, ao Dr. Schumacher dos grupos de
Oxford, a William James e ao meu próprio médico, Dr. Silkworth, nós de A.A.
devemos tantos benefícios. Como o senhor pode ver agora, claramente, esta
surpreendente sucessão de acontecimentos felizes começou, na realidade, faz
muito tempo, em seu consultório e se baseou, fundamentalmente, em sua percepção
humilde e profunda.
Muitos estudiosos de A.A. são seus atentos leitores. Por
sua convicção de que a criatura é muito mais do que inteligência, emoção, um
pouco de matéria orgânica e química, o senhor é muito admirado por nós. O
crescimento de nossa sociedade, o nascimento de suas Tradições, a Estrutura de
seu funcionamento, poderão ser do seu conhecimento através dos livros e
folhetos que remeto em anexo.
Também estou certo que lhe interessará saber que, além da
experiência espiritual”, muitos membros de A.A. possuem uma variada gama de
fenômenos psíquicos, cuja força em conjunto é considerável. Permita-me
assegurar-lhe que seu lugar de afeto na história de A.A. é inigualável,
William G. Wilson (Bill W.)
A Resposta de Jung 30 de janeiro de 1961 Mr. William G. Wilson P.O. Box 459, G.C.S.
N.Y. 17, N.Y.
Estimado senhor W.
Agradeço sua simpática carta.
Porém, o que eu realmente pensava era o resultado de
várias experiências com casos semelhantes ao dele. Sua fantástica necessidade
do álcool era equivalente, no nível mais baixo, a sede espiritual de nosso Ser
pela integridade, expressada em linguagem medieval: – a união com Deus. (Nota: “Assim
como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira minha alma por ti,
ó Deus!” – Salmos 42.1) Como pode alguém formular tal percepção em uma
linguagem que não seja mal interpretada em nossos dias?
A única forma correta e legítima para dita experiência é
que ela ocorra realmente com você, e somente acontece quando estiver
transitando pela estrada que conduza a uma compreensão mais elevada. Pode ser
conduzido a essa meta por um ato de pura graça, por meio de um contato pessoal
e honesto com semelhantes, ou através de uma educação aprimorada da mente, mais
além dos confins do mero racionalismo. Observo, por sua carta, que Roland
escolheu a segunda hipótese, que foi, em face das circunstâncias, logicamente a
melhor. Estou firmemente convencido de que o principio do mal, que prevalece
neste mundo, deriva da necessidade espiritual não identificada diante da
perdição. Quando nada é contraposto por meio da verdadeira percepção, ou pela
muralha protetora da comunidade humana, uma criatura comum não protegida por
uma ação do Alto e isolada pela sociedade, não pode resistir ao poder do mal, o
qual, de forma muito inteligente, denominamos demônio. Porém, ouso desses
termos perpetrar tamanhos horrores, que o melhor é manter-me longe deles o mais
possível.
São essas as razões pelas quais eu não me considerava em
condições para dar explicações suficientes e completas ao Roland H., porém me
arrisco com o senhor, já que deduzo, de sua honesta e sincera carta, que
adquiriu um ponto de vista que supera as equívocas trivialidades que geralmente
se escutam a respeito do alcoolismo.
Como sabe, álcool em latim é spiritrus; e se usa a
mesma palavra para descrever as experiências religiosas mais elevadas, como
para o veneno mais depravador.
Uma fórmula lógica é, pois, Spiritus contra Spiritum.
De V. Sa., atentamente,
Carl G. Jung.
Traduzido da
Revista El Mensaje para a Revista Vivência por Luiz M.
Fonte: Link
***
One of the
most remarkable episodes in the history of Alcoholics Anonymous is the
memorable exchange of letters between Bill W. (co-founder of A.A., together
with Dr. Bob) and none other than Carl Gustav Jung. As always, profoundly
inspired, Jung expressed what I have no doubt was true in my own case, as well
as in the lives of countless fellow alcoholics: alcoholism may be one possible
consequence of the soul’s spiritual thirst for wholeness and integrity.
Alcohol
provides an illusory experience of spiritual exaltation and thus becomes one of
the possible paths—although nothing more than a corrupting and diabolical
poison—through which the human being seeks union with God. Having always been a
man of little faith, yet filled with an intense spiritual longing, and carrying
within my genetic inheritance a predisposition to alcoholism, I became an
obvious captive of this condition.
In one of the
most memorable passages of his reply, Jung writes: “...Your craving for alcohol
was the equivalent, on a low level, of the spiritual thirst of our being for
wholeness, expressed in medieval language: the union with God. (Note: ‘As the
deer pants for streams of water, so my soul longs for You, O God.’ — Psalm
42:1.) How could one formulate such an insight in a language that is not
misunderstood in our own day? ... As you know, the Latin word for alcohol is
spiritus, and the same word is used for the highest religious experience as
well as for the most depraving poison. Therefore, the helpful formula is: Spiritus
contra Spiritum.”
The Correspondence Between Bill W. and Carl G. Jung
January 23, 1961
Professor Dr. Carl G. Jung
Zurich, Switzerland
Dear Professor Jung,
This letter,
carrying my deepest gratitude, has long been overdue.
Allow me first
to introduce myself. I am Bill W., co-founder of the Fellowship of Alcoholics
Anonymous. Although I am quite certain that you have heard of us, I doubt that
you are aware that a conversation you had with one of your patients—Roland
H.—during the early 1930s played a decisive role in the founding of our
Fellowship.
Although
Roland H. passed away some years ago, the reconstruction of his extraordinary
experience while under your care has become a permanent part of A.A.’s history.
As we remember his account, the story was as follows.
After
exhausting every other available means of recovering from alcoholism, Roland H.
became your patient around 1931. I believe he remained under your treatment for
approximately one year. His admiration for you was boundless, and he left your
care with a profound sense of confidence.
To his great
sorrow, however, he resumed drinking shortly afterward. Convinced that you
represented his “last hope,” he returned to you. It was then that the
now-famous conversation took place—the first link in the chain of fortunate
events that would eventually lead to the founding of Alcoholics Anonymous.
As Roland
recounted it, you first told him candidly that you saw no hope in either
medical or psychiatric treatment for his condition. That honest and humble
declaration undoubtedly became the cornerstone upon which our Fellowship was
later built.
Coming from a
man whom he trusted and admired so deeply, your words had a devastating impact.
It was then that Roland asked whether there was any other hope. You replied
that there might be—but only if he underwent some kind of genuine spiritual or
religious experience; in short, a true conversion.
You explained
that such an experience, should it occur, could provide the strength that
nothing else had been able to give him. You also observed that although such
experiences had occasionally brought recovery to alcoholics, they were
exceedingly rare. You therefore advised him to seek out a religious environment
and hope for the best. I believe this faithfully summarizes the essence of your
message.
Soon
afterward, Roland H. joined the Oxford Groups, an evangelical movement that at
the time enjoyed considerable success in Europe and with which, I believe, you
were familiar. You may therefore remember their strong emphasis on
self-examination, confession, restitution, and selfless service to others. They
also strongly encouraged prayer and meditation.
Within that
environment Roland experienced the conversion that freed him from his
compulsion to drink.
Upon returning
to New York, he became actively involved with the Oxford Groups there, then led
by the Episcopal minister Dr. Samuel Shoemaker, one of the founders of the
movement in America and a man of remarkable sincerity, conviction, and personal
influence.
Between 1932
and 1934, the Oxford Groups had already helped a considerable number of
alcoholics achieve sobriety. Knowing that he could identify with them
personally, Roland devoted himself wholeheartedly to helping others.
One of those
men was my former schoolmate Edwin T. (“Ebby”). He had been threatened with
imprisonment, but Roland and another recovered alcoholic succeeded in having
the criminal charges dismissed and helped him achieve sobriety.
Meanwhile, I
had followed my own downward path into alcoholism and had likewise been
threatened with prison. Fortunately, I was under the medical care of Dr.
William D. Silkworth, whose extraordinary understanding of alcoholism was
unmatched.
Yet, just as
you had come to recognize that you could not save Roland H., Dr. Silkworth
likewise came to the painful conclusion that he could do no more for me.
It was during
this period that my old friend Ebby came to visit me. He was sober. He had
found religion. I was deeply impressed. Although I had remained a nominal
Christian since childhood, I had become thoroughly skeptical.
Nevertheless,
Ebby’s example stirred something within me. I found myself wondering whether
there might indeed be something in religion after all. Soon afterward, I
entered Towns Hospital once again for treatment under Dr. Silkworth.
There, I
underwent an extraordinary spiritual experience. It was accompanied by an
overwhelming sense of God’s presence, which I have attempted to describe in the
book Alcoholics Anonymous and elsewhere.
My release
from the compulsion to drink was immediate and has remained permanent.
Shortly
thereafter, Dr. Silkworth suggested that I devote myself to other alcoholics,
explaining that only another alcoholic could truly understand one who still
suffered. This advice proved to be the beginning of a new way of life.
Although I
initially experienced many disappointments, I eventually met Dr. Bob, another
alcoholic physician. Together we founded what would become Alcoholics
Anonymous.
From the
beginning, we adopted as our guiding principles the ideas we had inherited from
the Oxford Groups: moral inventory, confession, restitution, helping others,
prayer, and meditation. To these we added Dr. Silkworth’s medical understanding
of alcoholism and our own practical experience in working with fellow
sufferers.
As the years
passed, our Fellowship spread rapidly. Thousands recovered, then tens of
thousands, and eventually hundreds of thousands.
Today,
Alcoholics Anonymous exists in many countries throughout the world.
As I have
often reflected upon our origins, I have become increasingly convinced that the
seed from which this worldwide movement grew was planted during your
conversation with Roland H.
Had you not
told him, with complete honesty, that medicine and psychiatry could offer him
no lasting solution, and had you not pointed him toward the possibility of a
transforming spiritual experience, it is difficult to imagine that the chain of
events leading to Alcoholics Anonymous would ever have unfolded.
For this
reason, Professor Jung, I have long wished to express to you my profound
gratitude—not only on behalf of myself, but also on behalf of the countless men
and women whose lives have been transformed through Alcoholics Anonymous.
Although you
may never have imagined the consequences of that conversation, it has become
one of the great turning points in our history.
With deep
appreciation and warmest regards,
William G.
Wilson (“Bill W.”)
Carl Jung’s Reply: January 30, 1961
Mr. William G. Wilson
P.O. Box 459, G.C.S.
New York 17, New York
Dear Mr. Wilson,
Thank you for
your gracious letter.
I never heard
from Roland H. again, and I have often wondered what became of him. In the
conversation he faithfully reported to you, however, there was one aspect that
I deliberately withheld from him. The reason I did not tell him everything was
that, at that time, I had learned to be extremely cautious in what I said,
having discovered that my statements were frequently misunderstood. For that
reason, I decided to be very careful with Roland.
What I was
really thinking, however, was the result of many experiences with cases similar
to his. His overwhelming craving for alcohol was, on a lower level, the
equivalent of our being’s spiritual thirst for wholeness, expressed in medieval
language as the union with God.
(“As the deer
pants for streams of water, so my soul longs for You, O God.” — Psalm 42:1.)
How could one
express such an insight in a language that would not be misunderstood in our
own time?
The only
legitimate way for such an experience to occur is for it to happen genuinely to
the individual himself, and this happens only when one is traveling the road
that leads to a higher understanding. One may be brought to this goal by an act
of divine grace, through honest and personal contact with one’s fellow human
beings, or through an education of the mind that reaches beyond the confines of
mere rationalism.
From your
letter, I gather that Roland chose the second path, which, under the
circumstances, was logically the best one.
I am firmly
convinced that the principle of evil prevailing in this world derives from an
unrecognized spiritual hunger that ends in destruction. Unless this need is met
through genuine insight or by the protective wall of a true human community,
the ordinary person—isolated from society and unaided by a higher power—cannot
withstand the force of evil, which we have quite aptly called the Devil.
Yet these very
words have suffered such terrible abuse that I prefer, whenever possible, to
avoid using them.
These are the
reasons why I did not feel capable of giving Roland H. a fuller explanation. I
venture to express these thoughts to you, however, because your sincere and
honest letter leads me to believe that you have attained a perspective that
rises above the commonplace misunderstandings so often heard concerning
alcoholism.
As you know,
the Latin word for alcohol is spiritus, and the same word is used both for the
highest religious experience and for the most corrupting poison.
The helpful
formula, therefore, is: Spiritus contra Spiritum.
Yours
sincerely,
Carl G. Jung
Translated from El Mensaje into Revista Vivência
by Luiz M.
Source: Link

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