sábado, 18 de julho de 2026

Em 18 de Julho de 2026 (sábado) Um dos episódios marcantes na história de Alcoólicos Anônimos // On July 18, 2026 (Saturday) One of the landmark episodes in the history of Alcoholics Anonymous

 


Um dos episódios marcantes na história de Alcoólicos Anônimos é a memorável troca de cartas entre Bill W. (um dos cofundadores de AA ao lado de Bob) e ninguém menos que Carl Jung. Como sempre repleto de divina inspiração, Carl Jung afirma o que não tenho dúvida ter sido o meu caso e o de um sem-número de companheiros alcóolicos: o alcoolismo é uma decorrência possível da sede espiritual de nosso Ser pela integridade/completude. O álcool proporciona uma ilusória sensação de enlevo espiritual, constituindo-se, destarte, como um dos caminhos possíveis (conquanto não passe de um veneno diabólico e depravador) pelos quais o ser humano busca se unir com Deus. Como sempre fui um homem de pouca fé, posto que repleto de sede espiritual, e como trago em minha genética a propensão para o alcoolismo, tornei-me um refém óbvio. Em um dos memoráveis trechos da carta, diz Jung: “[...] Sua fantástica necessidade do álcool era equivalente, no nível mais baixo, a sede espiritual de nosso Ser pela integridade, expressada em linguagem medieval: – a união com Deus. (Nota: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira minha alma por ti, ó Deus!” – Salmos 42.1) Como pode alguém formular tal percepção em uma linguagem que não seja mal interpretada em nossos dias? [...] Como sabe, álcool em latim é spiritrus; e se usa a mesma palavra para descrever as experiências religiosas mais elevadas, como para o veneno mais depravador. Uma fórmula lógica é, pois, Spiritus contra Spiritum.”


Abaixo, a correspondência entre Bill e Jung 

A correspondência entre Bill W. e o Prof. Dr. Carl G. Jung 23 de janeiro de 1961

 Ilustre Prof. Dr. Carl G. Jung, Zurique — Suíça

Esta carta, portadora de meu profundo agradecimento, estava pendente de ser escrita e remetida, faz bastante tempo.

Permita-me, preliminarmente, apresentar-me como Bill W., cofundador da Sociedade de Alcoólicos Anônimos. Embora seguramente tenha o senhor ouvido falar sobre nós, duvido ser do seu conhecimento que determinada conversa que manteve com um de seus pacientes – o Roland H. – nos inícios dos anos 30, representou um papel decisivo na fundação de nossa comunidade. Embora Roland H. tenha falecido já faz algum tempo, a recomposição de sua extraordinária experiência, durante o período em que esteve sob seu tratamento, faz parte definitiva da história de A. A. Nossa lembrança do que era relatado por ele, sobre a experiência que obteve com o senhor, é a seguinte: Havendo esgotado outros meios para sua recuperação de alcoolismo, mais ou menos em 1931 se tomou seu paciente. Acredito que permaneceu sob seu tratamento pelo período de um ano. Sua admiração pelo senhor era infinita e o deixou com um sentimento de muita confiança.

Para sua enorme tristeza, pouco tempo depois voltou a beber. Convencido de que era seu “último recurso”, regressou aos seus cuidados. Imediatamente houve a mencionada conversa entre os dois e que viria a ser o primeiro elo da corrente de felizes acontecimentos que conduziriam à fundação de Alcoólicos Anônimos.

Seu relato dessa conversa era o seguinte; primeiro, o senhor lhe falou francamente de sua desesperança com relação ao êxito de qualquer tratamento médico ou psiquiátrico. Essa sua declaração, tão sincera e humilde, foi, sem dúvida alguma, a pedra angular sobre a qual construímos nossa sociedade.

Vinda do senhor, em quem tanto confiava e admirava, o impacto sobre ele foi terrível. Foi aí, então, que ele lhe perguntou se havia alguma outra esperança, e o senhor respondeu que podia haver, desde que ele chegasse a ter algum tipo de experiência espiritual ou religiosa; em resumo, uma genuína conversão. O senhor lhe explicou como uma experiência como essa, acontecendo, poderia dar-lhe ânimo, quando nada mais poderia fazê-lo. Fez, ainda, a observação de que, embora ditas experiências tenham trazido, algumas vezes, recuperação a alcoólicos, eram elas, sem dúvida, raras, recomendou-lhe que buscasse um ambiente religioso e esperasse o melhor. Esta, creio eu, foi a essência de sua mensagem.

Pouco tempo depois o Roland H, reuniu-se aos Grupos de Oxford, um Movimento Evangélico, na época com muito sucesso na Europa e, pelo que acredito, do seu conhecimento. Por isso, certamente se recordará de sua especial ênfase aos princípios do auto exame, confissão, restituição e o entregar-se ao serviço de seus semelhantes. Eles recomendavam muito a meditação e a oração. Nesse ambiente, o H. encontrou a experiência da conversão que o libertou da compulsão pelas bebidas alcoólicas.

Ao regressar a Nova Iorque, começou a trabalhar ativamente nos Grupos de Oxford aqui existentes, então dirigidos pelo Ministro Episcopal, Dr. Sam Shoemacker, que havia sido um dos fundadores desse movimento aqui e era portador de uma forte personalidade, com imensa sinceridade e convicção. No período entre 1932 e 1934, os Grupos de Oxford já haviam recuperado um bom número de alcoólicos, e Roland H., sabendo que podia identificar-se com eles, se dedicou a ajudá-los.

Um deles havia sido meu companheiro de colégio e se chamava Edwin T. Ebby. Ele já havia sido ameaçado de prisão, porém Roland e outro ex – alcoólico conseguiram a anulação do processo criminal e o ajudaram a conseguir a sobriedade.

No entretempo, eu havia percorrido os caminhos do alcoolismo e havia sido, também, ameaçado com o presídio. Para sorte minha, estava sob tratamento médico com o Dr. William Silkworth, que tinha uma extraordinária capacidade para entender os alcoólicos. Mas, assim como o senhor havia reconhecido que fracassara diante do caso do Roland H., ele, também, reconhecera o mesmo em relação a mim.

Sua teoria era a de que o alcoolismo teria dois componentes: uma obsessão que conduz o paciente a beber contra sua vontade e interesses, além de determinado tipo de deficiência metabólica que ele denominava alergia. A compulsão, ou obsessão do alcoólico, fará com que seu consumo imoderado de bebidas continue e a alergia o destruirá, enlouquecendo-o ou matando-o prematuramente. Embora eu fosse um dos poucos com que ele se empenhava em ajudar, finalmente viu-se obrigado a falar-me francamente da nulidade de qualquer esperança; eu, também, precisava ser motivado por algum outro fator, disse-me. Para mim, essa declaração foi um golpe fatal. Assim como Roland H. havia sido escolhido pelo senhor para sua experiência de conversão, meu maravilhoso amigo Dr. Silkworth fez comigo. Conhecendo o que se passava comigo, meu amigo Edwin T. (Ebby) veio visitar-me em minha casa, me encontrando embriagado. Estávamos em novembro de 1.934. Fazia já alguns anos, eu considerava Ebby um caso sem esperança. Agora, ali estava ele em evidente estado de “libertação”, o que se devia, sem qualquer dúvida, ao seu ingresso nos Grupos de Oxford, fazia pouco tempo. Porém, o evidente estado de tranquilidade, o oposto da usual depressão, era tremendamente convincente. Como ele padecia do mesmo mal, podia comunicar-se comigo com facilidade. Reconheci, imediatamente, que eu tinha que encontrar uma experiência igual a dele, ou morreria. Novamente recorri a ajuda do Dr. Silkworth e, mais uma vez, consegui a sobriedade, obtendo, assim, uma visão mais clara da experiência de libertação de meu amigo Ebby e da aproximação de Roland H. até ele.

Livre do álcool novamente, me senti muito deprimido. Isto, parece, tinha por causa minha inabilidade em ter algum tipo de fé. Ebby me visitou novamente e repetiu a fórmula simples dos Grupos de Oxford. Depois que ele foi embora me senti mais deprimido ainda. Possuído pelo mais drástico desespero, gritei: “Se existe um Deus, então que se manifeste!”

Imediatamente me vi envolvido em enorme quantidade de luz, de fantástico impacto e dimensão, alguma coisa de tamanha importância que fiz questão de registrar nos livros “Alcoólicos Anônimos” e “A.A. chega a Sua Maioridade”, dois livros básicos que lhe estou enviando. Minha libertação do álcool foi imediata. Em seguida verifiquei que era um homem livre. Pouco tempo depois dessa experiência, meu amigo Ebby veio me visitar no hospital e me presenteou com um livro intitulado “Variedade de Experiências Religiosas”, de William James. Este livro me fez ver que a maioria das experiências de conversão, de qualquer classe que seja, tem como denominador comum uma total destruição do ego. O indivíduo se enfrenta em um dilema impossível. No meu caso, o dilema havia sido criado pela minha maneira compulsiva de beber e pelo profundo sentimento de desesperança, havia sido penetrado por meu médico e, muito mais ainda, pelo meu amigo alcoólico, quando me informou do veredito do senhor em relação ao Roland H.

No despertar da minha experiência espiritual, foi surgindo a ideia de uma sociedade de alcoólicos, identificados entre si, transmitindo suas experiências para outros, semelhante a uma corrente. Se cada doente alcoólico levasse a outro alcoólico a informação de que não havia esperança de recuperação par por parte da ciência, seria lógico esperar-se dele uma disposição para tentar uma experiência espiritual transformadora. Este pensamento provou ser a pedra fundamental do êxito de Alcoólicos Anônimos. Ele faz com que as experiências de conversão de todas as variedades, descritas por William James, estejam disponíveis em quantidades sempre crescentes em beneficio de outros. As recuperações estáveis, durante o último quarto de século, chegam a aproximadamente 300.000. Nos Estados Unidos e no mundo, atualmente, existem 8.000 grupos de AA (nota: cm 1974 se estimava o número de membros em 725.000, e o número de grupos, em todo o mundo, em 22.500).

Assim é que ao senhor, ao Dr. Schumacher dos grupos de Oxford, a William James e ao meu próprio médico, Dr. Silkworth, nós de A.A. devemos tantos benefícios. Como o senhor pode ver agora, claramente, esta surpreendente sucessão de acontecimentos felizes começou, na realidade, faz muito tempo, em seu consultório e se baseou, fundamentalmente, em sua percepção humilde e profunda.

Muitos estudiosos de A.A. são seus atentos leitores. Por sua convicção de que a criatura é muito mais do que inteligência, emoção, um pouco de matéria orgânica e química, o senhor é muito admirado por nós. O crescimento de nossa sociedade, o nascimento de suas Tradições, a Estrutura de seu funcionamento, poderão ser do seu conhecimento através dos livros e folhetos que remeto em anexo.

Também estou certo que lhe interessará saber que, além da experiência espiritual”, muitos membros de A.A. possuem uma variada gama de fenômenos psíquicos, cuja força em conjunto é considerável. Permita-me assegurar-lhe que seu lugar de afeto na história de A.A. é inigualável,

 Com meus profundos agradecimentos,

William G. Wilson (Bill W.)

 

A Resposta de Jung 30 de janeiro de 1961 Mr. William G. Wilson P.O. Box 459, G.C.S.

N.Y. 17, N.Y.

Estimado senhor W.

Agradeço sua simpática carta.

 Não voltei a receber notícias de Roland H. e, constantemente, me pergunto o que teria acontecido com ele. Na nossa conversa, que ele relatou fielmente a vocês, houve um aspecto que não lhe levei ao conhecimento. O motivo que tive para não dizer-lhe tudo é que, naquele tempo, eu devia ser extremamente cuidadoso no que dizia, por haver-me dado conta de que minhas declarações eram interpretadas erradamente. Por isso, decidi ser muito cauteloso com o Roland.

Porém, o que eu realmente pensava era o resultado de várias experiências com casos semelhantes ao dele. Sua fantástica necessidade do álcool era equivalente, no nível mais baixo, a sede espiritual de nosso Ser pela integridade, expressada em linguagem medieval: – a união com Deus. (Nota: “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira minha alma por ti, ó Deus!” – Salmos 42.1) Como pode alguém formular tal percepção em uma linguagem que não seja mal interpretada em nossos dias?

A única forma correta e legítima para dita experiência é que ela ocorra realmente com você, e somente acontece quando estiver transitando pela estrada que conduza a uma compreensão mais elevada. Pode ser conduzido a essa meta por um ato de pura graça, por meio de um contato pessoal e honesto com semelhantes, ou através de uma educação aprimorada da mente, mais além dos confins do mero racionalismo. Observo, por sua carta, que Roland escolheu a segunda hipótese, que foi, em face das circunstâncias, logicamente a melhor. Estou firmemente convencido de que o principio do mal, que prevalece neste mundo, deriva da necessidade espiritual não identificada diante da perdição. Quando nada é contraposto por meio da verdadeira percepção, ou pela muralha protetora da comunidade humana, uma criatura comum não protegida por uma ação do Alto e isolada pela sociedade, não pode resistir ao poder do mal, o qual, de forma muito inteligente, denominamos demônio. Porém, ouso desses termos perpetrar tamanhos horrores, que o melhor é manter-me longe deles o mais possível.

São essas as razões pelas quais eu não me considerava em condições para dar explicações suficientes e completas ao Roland H., porém me arrisco com o senhor, já que deduzo, de sua honesta e sincera carta, que adquiriu um ponto de vista que supera as equívocas trivialidades que geralmente se escutam a respeito do alcoolismo.

Como sabe, álcool em latim é spiritrus; e se usa a mesma palavra para descrever as experiências religiosas mais elevadas, como para o veneno mais depravador.

Uma fórmula lógica é, pois, Spiritus contra Spiritum.

De V. Sa., atentamente,

Carl G. Jung.

 

Traduzido da Revista El Mensaje para a Revista Vivência por Luiz M.

Fonte: Link

 

***

One of the most remarkable episodes in the history of Alcoholics Anonymous is the memorable exchange of letters between Bill W. (co-founder of A.A., together with Dr. Bob) and none other than Carl Gustav Jung. As always, profoundly inspired, Jung expressed what I have no doubt was true in my own case, as well as in the lives of countless fellow alcoholics: alcoholism may be one possible consequence of the soul’s spiritual thirst for wholeness and integrity.

Alcohol provides an illusory experience of spiritual exaltation and thus becomes one of the possible paths—although nothing more than a corrupting and diabolical poison—through which the human being seeks union with God. Having always been a man of little faith, yet filled with an intense spiritual longing, and carrying within my genetic inheritance a predisposition to alcoholism, I became an obvious captive of this condition.

In one of the most memorable passages of his reply, Jung writes: “...Your craving for alcohol was the equivalent, on a low level, of the spiritual thirst of our being for wholeness, expressed in medieval language: the union with God. (Note: ‘As the deer pants for streams of water, so my soul longs for You, O God.’ — Psalm 42:1.) How could one formulate such an insight in a language that is not misunderstood in our own day? ... As you know, the Latin word for alcohol is spiritus, and the same word is used for the highest religious experience as well as for the most depraving poison. Therefore, the helpful formula is: Spiritus contra Spiritum.”

 

The Correspondence Between Bill W. and Carl G. Jung


January 23, 1961 

Professor Dr. Carl G. Jung

Zurich, Switzerland

 

Dear Professor Jung,

This letter, carrying my deepest gratitude, has long been overdue.

Allow me first to introduce myself. I am Bill W., co-founder of the Fellowship of Alcoholics Anonymous. Although I am quite certain that you have heard of us, I doubt that you are aware that a conversation you had with one of your patients—Roland H.—during the early 1930s played a decisive role in the founding of our Fellowship.

Although Roland H. passed away some years ago, the reconstruction of his extraordinary experience while under your care has become a permanent part of A.A.’s history. As we remember his account, the story was as follows.

After exhausting every other available means of recovering from alcoholism, Roland H. became your patient around 1931. I believe he remained under your treatment for approximately one year. His admiration for you was boundless, and he left your care with a profound sense of confidence.

To his great sorrow, however, he resumed drinking shortly afterward. Convinced that you represented his “last hope,” he returned to you. It was then that the now-famous conversation took place—the first link in the chain of fortunate events that would eventually lead to the founding of Alcoholics Anonymous.

As Roland recounted it, you first told him candidly that you saw no hope in either medical or psychiatric treatment for his condition. That honest and humble declaration undoubtedly became the cornerstone upon which our Fellowship was later built.

Coming from a man whom he trusted and admired so deeply, your words had a devastating impact. It was then that Roland asked whether there was any other hope. You replied that there might be—but only if he underwent some kind of genuine spiritual or religious experience; in short, a true conversion.

You explained that such an experience, should it occur, could provide the strength that nothing else had been able to give him. You also observed that although such experiences had occasionally brought recovery to alcoholics, they were exceedingly rare. You therefore advised him to seek out a religious environment and hope for the best. I believe this faithfully summarizes the essence of your message.

Soon afterward, Roland H. joined the Oxford Groups, an evangelical movement that at the time enjoyed considerable success in Europe and with which, I believe, you were familiar. You may therefore remember their strong emphasis on self-examination, confession, restitution, and selfless service to others. They also strongly encouraged prayer and meditation.

Within that environment Roland experienced the conversion that freed him from his compulsion to drink.

Upon returning to New York, he became actively involved with the Oxford Groups there, then led by the Episcopal minister Dr. Samuel Shoemaker, one of the founders of the movement in America and a man of remarkable sincerity, conviction, and personal influence.

Between 1932 and 1934, the Oxford Groups had already helped a considerable number of alcoholics achieve sobriety. Knowing that he could identify with them personally, Roland devoted himself wholeheartedly to helping others.

One of those men was my former schoolmate Edwin T. (“Ebby”). He had been threatened with imprisonment, but Roland and another recovered alcoholic succeeded in having the criminal charges dismissed and helped him achieve sobriety.

Meanwhile, I had followed my own downward path into alcoholism and had likewise been threatened with prison. Fortunately, I was under the medical care of Dr. William D. Silkworth, whose extraordinary understanding of alcoholism was unmatched.

Yet, just as you had come to recognize that you could not save Roland H., Dr. Silkworth likewise came to the painful conclusion that he could do no more for me.

It was during this period that my old friend Ebby came to visit me. He was sober. He had found religion. I was deeply impressed. Although I had remained a nominal Christian since childhood, I had become thoroughly skeptical.

Nevertheless, Ebby’s example stirred something within me. I found myself wondering whether there might indeed be something in religion after all. Soon afterward, I entered Towns Hospital once again for treatment under Dr. Silkworth.

There, I underwent an extraordinary spiritual experience. It was accompanied by an overwhelming sense of God’s presence, which I have attempted to describe in the book Alcoholics Anonymous and elsewhere.

My release from the compulsion to drink was immediate and has remained permanent.

Shortly thereafter, Dr. Silkworth suggested that I devote myself to other alcoholics, explaining that only another alcoholic could truly understand one who still suffered. This advice proved to be the beginning of a new way of life.

Although I initially experienced many disappointments, I eventually met Dr. Bob, another alcoholic physician. Together we founded what would become Alcoholics Anonymous.

From the beginning, we adopted as our guiding principles the ideas we had inherited from the Oxford Groups: moral inventory, confession, restitution, helping others, prayer, and meditation. To these we added Dr. Silkworth’s medical understanding of alcoholism and our own practical experience in working with fellow sufferers.

As the years passed, our Fellowship spread rapidly. Thousands recovered, then tens of thousands, and eventually hundreds of thousands.

Today, Alcoholics Anonymous exists in many countries throughout the world.

As I have often reflected upon our origins, I have become increasingly convinced that the seed from which this worldwide movement grew was planted during your conversation with Roland H.

Had you not told him, with complete honesty, that medicine and psychiatry could offer him no lasting solution, and had you not pointed him toward the possibility of a transforming spiritual experience, it is difficult to imagine that the chain of events leading to Alcoholics Anonymous would ever have unfolded.

For this reason, Professor Jung, I have long wished to express to you my profound gratitude—not only on behalf of myself, but also on behalf of the countless men and women whose lives have been transformed through Alcoholics Anonymous.

Although you may never have imagined the consequences of that conversation, it has become one of the great turning points in our history.

With deep appreciation and warmest regards,

William G. Wilson (“Bill W.”)

 

Carl Jung’s Reply: January 30, 1961 

Mr. William G. Wilson

P.O. Box 459, G.C.S.

New York 17, New York

 

Dear Mr. Wilson,

Thank you for your gracious letter.

I never heard from Roland H. again, and I have often wondered what became of him. In the conversation he faithfully reported to you, however, there was one aspect that I deliberately withheld from him. The reason I did not tell him everything was that, at that time, I had learned to be extremely cautious in what I said, having discovered that my statements were frequently misunderstood. For that reason, I decided to be very careful with Roland.

What I was really thinking, however, was the result of many experiences with cases similar to his. His overwhelming craving for alcohol was, on a lower level, the equivalent of our being’s spiritual thirst for wholeness, expressed in medieval language as the union with God.

(“As the deer pants for streams of water, so my soul longs for You, O God.” — Psalm 42:1.)

How could one express such an insight in a language that would not be misunderstood in our own time?

The only legitimate way for such an experience to occur is for it to happen genuinely to the individual himself, and this happens only when one is traveling the road that leads to a higher understanding. One may be brought to this goal by an act of divine grace, through honest and personal contact with one’s fellow human beings, or through an education of the mind that reaches beyond the confines of mere rationalism.

From your letter, I gather that Roland chose the second path, which, under the circumstances, was logically the best one.

I am firmly convinced that the principle of evil prevailing in this world derives from an unrecognized spiritual hunger that ends in destruction. Unless this need is met through genuine insight or by the protective wall of a true human community, the ordinary person—isolated from society and unaided by a higher power—cannot withstand the force of evil, which we have quite aptly called the Devil.

Yet these very words have suffered such terrible abuse that I prefer, whenever possible, to avoid using them.

These are the reasons why I did not feel capable of giving Roland H. a fuller explanation. I venture to express these thoughts to you, however, because your sincere and honest letter leads me to believe that you have attained a perspective that rises above the commonplace misunderstandings so often heard concerning alcoholism.

As you know, the Latin word for alcohol is spiritus, and the same word is used both for the highest religious experience and for the most corrupting poison.

The helpful formula, therefore, is: Spiritus contra Spiritum.

 

Yours sincerely,

Carl G. Jung

 

Translated from El Mensaje into Revista Vivência by Luiz M.

Source: Link

    

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